Eleições, a China e documentos classificados: O estado da Nação de Trump
Trump fez as declarações num
discurso à nação a partir da Casa Branca, transmitido em horário nobre, durante
o qual apelou ao Senado para aprovar a reforma eleitoral promovida pela
administração, denominada "Save America" (Salvar a América), antes
das eleições intercalares de 3 de Novembro, nas quais estará em causa a maioria
republicana no Congresso. O chefe de
Estado afirmou que os Estados Unidos têm um sistema eleitoral
"catastrófico" e disse que nenhum país pode ser "grande"
sem eleições "livres, justas e honestas".Durante a intervenção, Trump anunciou a divulgação de documentos
anteriormente classificados relativos às eleições de 2018 e 2020, alegando que
revelam "a maior violação de dados eleitorais da história" e que
permitiram à China obter ilicitamente os registos de 220 milhões de eleitores
norte-americanos.O Presidente acusou ainda Pequim de ter procurado impedir a sua
reeleição em 2020 e sustentou que a comunidade de informações norte-americana
lhe ocultou esses dados durante o primeiro mandato, entre 2017 e 2021.No entanto, os documentos divulgados pela Casa Branca não
apresentam provas de manipulação dos votos nem de alteração do resultado das
eleições presidenciais de 2020.Também não existem avaliações credíveis dos serviços de
informações norte-americanos que concluam que agentes estrangeiros tenham
alterado a contagem de votos naquele escrutínio.Pelo contrário, sucessivas auditorias, recontagens e
investigações conduzidas após as eleições - incluindo por responsáveis
republicanos e pelo então procurador-geral da administração Trump - concluíram
que não existiram indícios de fraude eleitoral significativa.Trump afirmou que o objectivo do anúncio "não é enfraquecer
a confiança nas eleições", mas corrigir vulnerabilidades do sistema e
justificar a aprovação de legislação que endurece os requisitos para votar em
eleições federais.A proposta exige provas de cidadania e documentos de
identificação com fotografia para o registo eleitoral e para a votação, uma
medida que os democratas consideram susceptível de dificultar o acesso às urnas
por parte dos eleitores mais desfavorecidos.Apesar de centrar as acusações na China, Trump não dirigiu
críticas ao Presidente chinês, Xi Jinping, nem abordou as conclusões dos
serviços de informações norte-americanos segundo as quais a Rússia desenvolveu
campanhas de influência favoráveis ao republicano nas eleições de 2016 e 2020.Chávez e Maduro de terão tentado "manipular
resultados"Alegou também que documentos da Agência Central de Inteligência
(CIA) indicam que os governos venezuelanos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro
tentaram manipular os resultados eleitorais do país entre 2004 e 2020."Existia um complô específico para favorecer enormemente o
corrupto regime da Venezuela", declarou na quinta-feira Donald Trump no
discurso do estado da nação em horário nobre, transmitido a partir da Casa
Branca, centrado em alegadas vulnerabilidades do sistema eleitoral
norte-americano.De acordo com o chefe de Estado, a acusação assenta em
documentos divulgados, na quinta-feira, pela Casa Branca, incluindo uma análise
da CIA datada de 29 de Junho, baseada em informação recolhida ao longo de quase
duas décadas sobre a capacidade de Caracas para manipular eleições através de
máquinas de voto eletrónico.O relatório indica que a Venezuela tinha "provavelmente
alguma capacidade" para manipular sistemas de votação eletrónica dentro do
país, incluindo os da empresa britânica Smartmatic, da qual os Estados Unidos
se desvincularam em 2007.Contudo, o mesmo relatório sublinha não haver provas definitivas
de fraude em larga escala e conclui que nem o Governo venezuelano nem o sistema
de automatização de resultados da Smartmatic poderiam alterar eleições fora da
Venezuela ou nos Estados Unidos."Eleições de 2020 não foram roubadas. Nós vencemos e
ele perdeu"Antes do discurso, a antiga vice-presidente Kamala Harris acusou
Trump de pretender "vender mentiras e teorias da conspiração",
afirmando que "as eleições de 2020 não foram roubadas. Nós vencemos e ele
perdeu".Vários democratas advertiram igualmente que o Presidente procura
lançar dúvidas sobre a credibilidade das eleições intercalares de novembro de
2026. O senador Mark Warner classificou as alegações como "totalmente
falsas" e recordou que as agências de informações concluíram que a China
não tentou alterar um único voto em 2020.Trump nunca reconheceu a derrota frente ao democrata Joe Biden
nas presidenciais de 2020 e continua a defender, sem provas, que houve fraude
eleitoral.As alegações foram rejeitadas pelos tribunais e, após a
certificação da vitória de Biden, milhares de apoiantes de Trump invadiram o
Capitólio, em 06 de janeiro de 2021, numa tentativa falhada de impedir a
validação do resultado eleitoral.O republicano chegou a ser acusado de tentar reverter
ilegalmente o resultado das eleições e pelo seu alegado papel no ataque ao
Capitólio, mas as acusações foram posteriormente retiradas depois de regressar
à Presidência na sequência das eleições de 2024.
7/17/2026 1:54:00 AM