Marginais cooptaram estruturas do Estado e transformaram em antro de corrupção, diz procurador-geral do Rio

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, afirmou que as estruturas do Estado foram “cooptadas por marginais” que as transformaram em “antros de corrupção”. A declaração foi dada durante entrevista coletiva do Ministério Público estadual sobre a operação, nesta quinta-feira (9), no Instituto Rio Metrópoles (IRM), autarquia responsável por investimentos na região metropolitana fluminense. “Inúmeras estruturas do Estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptados por delinquentes, por marginais. Alguns inclusive exercendo posições de destaque nessas estruturas registrando antecedentes criminais e ainda assim nomeados para funções estratégicas, transformando essas estruturas do Estado em antros de corrupção, cooptando verdadeiramente estruturas estatais para o desvio de verbas públicas, sempre em benefício pessoal, em benefício próprio dos integrantes, não de estruturas do Estado, mas de organizações criminosas que se infiltraram no Estado”, afirmou Moreira. “Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso Estado passa há décadas”, declarou. O presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, foi preso na operação junto a outras cinco pessoas — entre elas, o pai e a cunhada do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), Mauricio Silva Knoploch dos Santos e Amanda Íthala Santos da Paschoa. O parlamentar, contudo, não é alvo das investigações. O deputado se manifestou nas redes sociais e disse estar surpreso com a operação. Knoploch afirmou que seu pai está no IRM desde 2019 e chegou ao IRM sem ser indicado pelo parlamentar. Ele também disse que está acompanhando as investigações e confia no currículo tanto do pai quanto da cunhada. Segundo o MP, o Instituto Rio Metrópoles era usado para o desvio de recursos públicos por meio de contratos fraudulentos e superfaturados. O suposto esquema teria movimentado R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026. A procuradoria informou que não há indícios que tais contratos tiveram seus serviços executados. Os seis presos já foram denunciados à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital. De acordo com o MP, os valores dos contratos eram transferidos ao Brazilian Institute of Organics, conhecido como Instituto BIO, uma entidade sem estrutura operacional compatível, de onde o dinheiro era sacado em espécie. O dinheiro era sacado de forma recorrente pela presidente do Instituto Bio, Caroline Soares Barros, uma das presas na ação desta manhã. Segundo o Ministério Público, até recentemente Barros aparecia como beneficiária do Bolsa Família. O Valor tenta contato com a defesa dos alvos da operação, e o espaço está aberto para manifestação.

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