Club - k Angola

6/30/2026

Web, Angola

Suspeição perigosa - Jorge Eurico

Suspeição perigosa - Jorge Eurico
Luanda - Carlos Candanda é dirigente da UNITA. Um galo negro sénior. Tem no Club-K uma tribuna de onde, não raras vezes, confunde independência intelectual com licença para a irresponsabilidade. Pratica a opinião como um desporto sem árbitro. Sem regras. E, sobretudo, sem responsabilidade. Fonte: Club-k.net «O Bicesse e a Narrativa Portuguesa» é o título do seu mais recente artigo. Nele há uma passagem que merece atenção: «A título de exemplo, numa reunião de cúpula, presidida pelo Presidente José Eduardo dos Santos, um dirigente do MPLA afirmava que “todos os que nasceram a sul do rio Cuanza são primitivos, suspeitos de ser da UNITA”.» A citação é grave. E inverosímil. Não é verificável. Nem encontra corroboração nos anais da história política recente do País. É fácil e cómodo invocar uma reunião que ninguém pode confirmar. Carlos Candanda não indica a data. Não indica o local. Não indica o contexto. Nem identifica o alegado autor da afirmação. A referência surge vazia de elementos verificáveis. A sua credibilidade assenta apenas na palavra de quem a reproduz. Leviandade. José Eduardo dos Santos liderou o MPLA durante trinta e oito anos. Nesse período, o partido acumulou erros. E continua. Cometeu excessos. E continua. Assumiu responsabilidades governativas que merecem crítica e escrutínio. Nisso não há divergência. Mas não existe memória política consistente de um MPLA estruturado em torno do tribalismo ou do regionalismo como princípio organizador da sua acção. A acusação implícita no texto de Carlos Candanda é outra. Sugere que o MPLA faz da origem regional um critério de suspeição política. É uma insinuação séria. Exige provas sérias. Mais do que um juízo sobre o MPLA, a passagem reproduz um preconceito antigo. A ideia de que determinadas regiões do País possuem uma identidade política natural. Homogénea. Hereditária. É precisamente esse tipo de pensamento que Angola deveria ter ultrapassado há muito tempo. A ironia é evidente. Essa visão tem sido frequentemente associada à própria UNITA pelos seus adversários. Formalmente, qualquer cidadão angolano pode militar na UNITA. Tal como no MPLA. Mas a percepção pública continua a associar a UNITA a uma base social e regional específica. A prudência recomendaria evitar generalizações. Sobretudo as que reabrem velhas fracturas. Ainda bem que a independência de Angola foi proclamada pelo MPLA sob o estandarte da unidade nacional. E não da supremacia regional. Se o Estado tivesse sido capturado por lógicas exclusivistas defendidas a época pela FNLA ou pela UNITA, Angola seria hoje um País ainda mais fragmentado.O mais preocupante no texto de Carlos Candanda é a crítica ao MPLA. A crítica política é legítima e necessária. O problema está na reabilitação de preconceitos regionais. Está na reciclagem de suspeições colectivas. Está na tentativa de transformar estereótipos em argumentos políticos. O Club-K tem o direito de publicar opiniões incómodas. Deve tê-lo. Mas também deve ponderar a qualidade do que publica. Nem tudo o que se apresenta como análise merece esse nome. A irresponsabilidade política torna-se mais perigosa quando veste o fato da reflexão intelectual. O preconceito passa por análise. A insinuação faz-se argumento. A suspeita apresenta-se como facto. Sem provas. Sem verificação. Sem contraditório. É pouco para a História. É pouco para a política. E é manifestamente pouco para sustentar uma acusação tão grave.  

Top 10 Portala

TASS

tass.ru

9477 vesti

RIA Novosti

ria.ru

6614 vesti

g1 Globo

g1.globo.com

6222 vesti

The Independent

independent.co.uk

4418 vesti

The Hindu

thehindu.co.in

3624 vesti

O Globo

oglobo.globo.com

3428 vesti

Kurir

kurir.rs

3272 vesti

CNN Brasil

cnnbrasil.com.br

3183 vesti

Indian Express

indianexpress.com

2637 vesti

La Nation AR

lanacion.com.ar

2573 vesti