MP acusa empresário Daniel Afonso Neto de incitação à violência em processo ligado ao caso Alves Benjamin
Luanda - O Ministério Público (MP) acusou o presidente do Conselho de Administração da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto, do alegado crime de incitação à violência, num processo relacionado com as denúncias públicas que fez sobre a morte do jovem Alves Benjamin, de 22 anos, morto a tiro por supostos efectivos do Comando Municipal da Polícia Nacional do Talatona, em Luanda, após ter sido alegadamente confundido com um trabalhador da empresa.
Fonte: Club-k.net
Inicialmente, o processo incidia sobre os alegados crimes de calúnia e difamação. O julgamento deveria ter começado na sexta-feira, 26 de Junho, mas foi adiado para terça-feira, 30 de Junho.
Entre os queixosos figuram o antigo ministro do Interior e actual governador da província do Cuanza-Sul, Eugénio César Laborinho, o tenente-general Rui Fernandes Lopes Afonso, à data dos factos comandante da Região Militar de Luanda, e o subcomissário Joaquim Osvaldo Dadinho de Rosário, antigo comandante da Polícia Nacional no Talatona.
O processo inclui ainda como queixosos o ex-administrador municipal do Talatona, Rui Duarte, e o presidente do Movimento de Apoio Solidário de Angola (Movangola), António Altino Sawanga. Os seus nomes terão sido mencionados numa conferência de imprensa realizada por Daniel Afonso Neto, em 2024, poucos dias depois de este ter sido libertado da Comarca de Viana, onde permaneceu em prisão preventiva durante mais de seis meses.
Em declarações à imprensa, Daniel Afonso Neto afirmou estar preparado para responder às acusações e reiterou que considera o processo uma forma de perseguição judicial motivada pelas denúncias que apresentou.
“Estamos dispostos a responder. Quem fala a verdade neste país é perseguido”, afirmou.
O empresário, que também é tenente-coronel das Forças Armadas Angolanas (FAA), sustenta que o processo resulta das denúncias relacionadas com a morte de Alves Benjamin, que, segundo a sua versão, foi baleado na região abdominal por agentes da Polícia Nacional durante uma operação alegadamente coordenada pelo então comandante policial do Talatona, Joaquim do Rosário.
Daniel Afonso Neto afirmou igualmente que, na sequência dessas denúncias, foi alvo de perseguições e de uma alegada tentativa de assassinato, responsabilizando elementos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Polícia Nacional, sem que essas alegações tenham sido confirmadas pelas autoridades.
Durante uma conferência de imprensa, o empresário reiterou ainda que Alves Benjamin, natural da província da Lunda-Norte, terá sido morto nas instalações da empresa H&S, alegadamente controlada por cidadãos chineses.
“Temos provas documentais e outros elementos que demonstram que os disparos foram efectuados por agentes da Polícia Nacional do Talatona”, declarou.
Entretanto, trabalhadores e camponeses ligados à empresa Konda Marta manifestaram apoio público a Daniel Afonso Neto, considerando que o processo constitui uma alegada perseguição contra o empresário.
A primeira audiência de julgamento está agora marcada para terça-feira, 30 de Junho, na 5.ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, instalado no Palácio Dona Ana Joaquina.
6/28/2026 12:37:11 PM