Festival Internacional do Fado regressa a Cabo Verde para a sua segunda edição
Numa entrevista ao Expresso das Ilhas, o
director do festival, Frederico Carmo, frisou que o evento chegou a Cabo Verde
no ano passado e que a experiência foi muito positiva. Segundo explicou, o
festival tem um tema diferente em cada edição. “No primeiro ano foi a História
do Fado.Depois fizemos as Casas de Fado, o Fado e a
Poesia, o Fado e as Mulheres, o Fado e o Mar, o Fado e Lisboa, enfim, 16 temas
ao longo da nossa história”. Já no ano passado foi o centenário de Carlos
Paredes, “um músico muito importante da guitarra portuguesa, e este ano o tema
é o Fado e os Bairros de Lisboa. Vamos ter também uma conferência, um concerto
sobre este tema e a exibição de um filme de Diogo Varela Silva, igualmente
relacionado com esta temática”. Este ano, Frederico Carmo indicou que a
artista principal é Beatriz Felício, uma jovem fadista que, apesar da idade,
tem vindo a construir uma carreira impressionante. Carmo sublinhou que a organização tem grandes
expectativas em relação ao regresso a Cabo Verde, um país irmão de que gostam
muito. “Estivemos aqui no ano passado e entendemos que fazia sentido repetir a
experiência. Esperamos agora manter-nos por muitos anos nesta cidade”, afirmou.“Vamos iniciar no dia 17 com a exibição de um
filme de Diogo Varela Silva. Depois, no dia 18, teremos o concerto de Beatriz
Felício, no Auditório Nacional Jorge Barbosa. No dia 19, realiza-se o
concerto-conferência de Rodrigo Costa Félix, uma espécie de espectáculo em que
irá falar sobre os bairros de Lisboa e interpretar alguns temas relacionados
com esses bairros”, revelou. Frederico Carmo explicou que o formato de
concerto-conferência já foi utilizado na edição do ano passado, numa
conferência dedicada a Carlos Paredes, com o guitarrista Bernardo Couto, e que
a iniciativa teve muito boa aceitação. O director do festival esclareceu que a
intenção não é apenas levar concertos para que as pessoas possam assistir e
desfrutar, mas também promover actividades gratuitas. “Neste sentido, este ano, o
concerto-conferência de Rodrigo Costa Félix e a exibição do filme, que terão
lugar no Centro Cultural Português, serão actividades gratuitas. Basta que as
pessoas se inscrevam”, explicou. Expectativa
Segundo Frederico Carmo, a expectativa é que o
público volte a aderir e a marcar presença, tanto na exibição do filme como nas
restantes actividades, tendo em conta que se trata de uma oportunidade única
para conhecer música de outros países. “No ano passado, a sala estava composta, a
artista que actuou ficou muito satisfeita e tivemos uma boa projecção nos meios
de comunicação social. Este ano, o objectivo é repetir e melhorar os resultados
e, se possível, esgotar o Auditório Nacional Jorge Barbosa para o concerto de
Beatriz Felício”, desejou. Questionado sobre a possibilidade de levar o
festival a outras ilhas, Frederico Carmo explicou que essa hipótese existe.“Vamos começar devagar. Primeiro queremos
consolidar o festival na Cidade da Praia e, depois, se houver oportunidade,
teremos todo o gosto em crescer, até pelo ímpeto de expansão que temos
demonstrado ao longo dos anos. Normalmente, realizamos o festival apenas numa
cidade de cada país, porque, caso contrário, passaríamos o ano inteiro fora de
Portugal. Mas, sim, se houver essa oportunidade, teremos todo o gosto em
alargar esta iniciativa a outras ilhas”, afirmou. Contudo, esclareceu que essa expansão não
depende de convites, mas sim das condições para a sua concretização. “Isto depende mais das possibilidades
existentes e de uma decisão da nossa parte. Se houver interesse do público e
espaços disponíveis para nos receber, teremos todo o gosto em expandir o
festival. Obviamente, se houver um grande interesse e pedidos para que a
iniciativa se realize noutras ilhas, teremos isso em consideração”,
acrescentou.Trazer o festival para Cabo Verde Frederico
Carmo explicou que organizar esta iniciativa não é uma tarefa fácil, nem em
Cabo Verde nem nas restantes cidades por onde o festival já passou. No entanto, revelou que o evento tem contado
com um forte apoio institucional de entidades portuguesas, como a Embaixada de
Portugal, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, o Turismo de Portugal
e o Museu do Fado, bem como de algumas empresas. “Também contamos com o apoio de empresas em
Cabo Verde, como a ENACOL e a TCV, que contribuem para garantir a capacidade
financeira necessária para realizar esta iniciativa”, destacou.Carmo apelou ainda ao público para que não
perca a oportunidade de assistir à actuação de Beatriz Felício, que
recentemente teve apresentações de destaque em Madrid e Barcelona. “Ela já esteve connosco este ano e esta é uma
oportunidade única para conhecer o seu repertório. As restantes actividades,
como o filme e o concerto-conferência de Rodrigo Costa Félix, também são
imperdíveis. Por isso, convidamos todo o público cabo-verdiano, em particular o
da Cidade da Praia, a marcar presença”, apelou.Escolha
dos fadistas Sobre os critérios de selecção dos fadistas
para o evento, Frederico Carmo explicou que a escolha depende de vários
factores, incluindo o momento artístico de cada intérprete. “Se lançou um disco
recentemente ou não, se o seu perfil se enquadra no tema do festival. Neste caso, por exemplo, a Beatriz é uma
fadista muito bairrista e, sendo o tema ‘O Fado e os Bairros de Lisboa’, faz
sentido levar uma artista que tenha o bairro dentro dela e que cante de forma
visceral e genuína. São vários os factores que influenciam a programação”,
explicou. Por isso, disse que este ano decidiram apostar
em Beatriz Felício, não apenas em Cabo Verde, mas também noutras cidades.
“Consideramos que é uma artista com uma enorme força, talento e qualidade, e
fazia todo o sentido dar-lhe a oportunidade de integrar esta programação”,
concluiu. Com 16 edições realizadas desde o seu início
em Madrid, em 2011, o Festival Internacional do Fado promove o fado e, por
consequência, a língua e a cultura portuguesas em 21 cidades de 15 países da
Europa, Ásia, África e América Latina.
6/18/2026 5:32:09 AM