Mundo condena vídeo de activistas ajoelhados e atados divulgado por ministro israelita
Em Portugal, o Governo condenou “veementemente” o
comportamento do ministro israelita e classificou o tratamento dado aos activistas
como uma “humilhante violação da dignidade humana”. O primeiro-ministro
português, Luís Montenegro, afirmou que a situação é “absolutamente
inaceitável” e admitiu a possibilidade de Portugal apoiar uma suspensão parcial
do acordo entre a União Europeia e Israel.“Portugal já tem manifestado a sua disponibilidade para
uma suspensão parcial do acordo com Israel e veremos nos próximos encontros se
há alguma evolução nesse domínio”, declarou Montenegro, em declarações
transmitidas pela RTP e Antena 1.O Ministério dos Negócios Estrangeiros português já tinha
reagido anteriormente através de uma nota divulgada nas redes sociais, na qual
condenava “o comportamento intolerável do ministro israelita Ben Gvir” e o
tratamento infligido aos activistas da flotilha.Entre os detidos encontram-se dois médicos portugueses,
Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, que integravam a flotilha humanitária interceptada
pelas forças israelitas quando tentava chegar à Faixa de Gaza. O Governo
português anunciou, entretanto, que ambos deverão ser deportados para Portugal
via Turquia.As imagens divulgadas por Ben Gvir mostram dezenas de activistas
ajoelhados num navio militar israelita, com as mãos amarradas atrás das costas
e a cabeça baixa, enquanto o hino nacional israelita toca em altifalantes.
Noutras cenas, os detidos surgem a caminhar agachados, conduzidos por agentes
israelitas que lhes seguram a cabeça.No vídeo, o ministro surge a empunhar uma bandeira
israelita e a afirmar: “É assim que recebemos aqueles que apoiam o terrorismo.
Bem-vindos a Israel.”As imagens provocaram desconforto até dentro do próprio
Governo israelita. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considerou que a actuação
de Ben Gvir “não está em consonância com os valores e normas de Israel” e
ordenou que os activistas fossem deportados “o mais rapidamente possível”.Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel,
Gideon Saar, criticou o colega de Governo, classificando o episódio como um “espectáculo
vergonhoso” que prejudicou deliberadamente a imagem internacional do país.A União Europeia classificou o tratamento dado aos activistas
como “completamente inaceitável”. Em comunicado, o Serviço Europeu para a Acção
Externa sublinhou que a posição foi partilhada inclusive por membros do Governo
israelita.Vários países europeus convocaram embaixadores israelitas
para protestar contra o incidente. O presidente do Conselho Europeu, António
Costa, exigiu a “libertação imediata” dos activistas e condenou o comportamento
de Ben Gvir.A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, exigiu um
pedido de desculpas formal de Israel, considerando “inadmissível” o
comportamento do ministro israelita. O ministro italiano dos Negócios
Estrangeiros, Antonio Tajani, alinhou na mesma posição.Também o Governo francês pediu desculpas formais de
Israel, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou as
imagens como “inaceitáveis” e anunciou pressão junto de Bruxelas para ampliar
sanções contra Ben Gvir a nível europeu.No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores condenou
o tratamento “degradante e humilhante” dos activistas detidos e exigiu a
libertação imediata dos quatro cidadãos brasileiros que integravam a flotilha.Já o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, descreveu
o tratamento dado aos civis como “abominável” e “inaceitável”, convocando o
embaixador israelita para explicações.Até o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike
Huckabee, tradicional aliado do Governo israelita, criticou duramente Ben Gvir.
“A flotilha foi uma manobra publicitária estúpida, mas Ben Gvir traiu a
dignidade da sua nação”, escreveu nas redes sociais.As embarcações da flotilha “Global Sumud” foram interceptadas
pela Marinha israelita em águas internacionais após partirem da Turquia com o objectivo
declarado de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio
imposto por Israel ao território palestiniano, devastado por quase dois anos de
guerra.A organização de direitos humanos Adalah denunciou que os
activistas civis foram “removidos à força de águas internacionais”,
considerando ilegal a operação israelita.O Hamas também reagiu, considerando que as acções de Ben
Gvir “reflectem a mentalidade de um Estado doente”. Basem Naim, membro da ala
política do movimento islamita palestiniano, acusou Israel de se afastar da
comunidade internacional e afirmou que o país “está a cavar a sua própria
sepultura com as mãos dos seus líderes”.
5/21/2026 2:33:32 AM